A migração deste blogue para o novo sistema já está completa. Lembrai actualizar:
URL: http://caminhos.gzpt.org
RSS: http://caminhos.gzpt.org/index.php/feed/rss/
Dentro de uns dias este blogue desaparecerá e só ficará acessível nos endereços antes indicados.
Nuns segundos serás redireccionada/o para o novo sítio. Se o processo demorar, prime AQUI.
05 Agosto 2007
Migração completa
03 Agosto 2007
Migrando blogue - comentários fechados
Olá, pessoal. Tal e como comentara o passado 30 de Junho, decidi abandonar o Blogger e passar ao WordPress. Para ajudar a colher melhor o fio das cousas quando a mudança tiver finalizado, e para dar-lhe continuidade, botei mão de um interessante plugin para importar no WordPress os artigos e comentários deste blogue. Desde logo, polo caminho perdem-se muitas cousas, entre elas as avondossas imagens que tinha carregadas, já que ficam aqui, no servidor original. Mas todo o conteúdo textual passa ao novo sítio. Precisamente, para evitar ter de importar de novo, é polo que decidi restringir os comentários, já que nem este post nem os que eventualmente escrever passarão ao novo sítio.
Espero que saibais desculpar a inconveniência. Conto com ter finalizado o processo em poucos dias. Desde logo, uma vez reaberto o blogue os comentários também ficarão abertos (na nova localização, é claro).
Já de passo, quem ainda não o tenhais feito aproveitai para actualizar o URL deste sítio nas vossas cabeças, favoritos e leitores de feeds, já que, como indica o cabeçalho, é http://caminhos.gzpt.org/ (e não http://oscaminhoscruzados.blogspot.com/). Desta forma, se sempre utilizardes o URL correcto, ireis sempre para o sítio certo ;-)
NOTA: o contacto, críticas e sugestões continua acessível desde caminhoscruzados (arroba) gmail.com
01 Agosto 2007
Um outro parto: Guia de Centros Sociais
A imagem que acompanhas estas linhas trata de um outro nascimento no qual tive também o meu modesto contributo. Trata-se do Guia de Centros Sociais. Espaços Abertos para umha Nova Cultura.
Se se me desculpa a indiscreção, indico que a ideia tomou corpo num conselho de redacção do Novas da Galiza celebrado em Tui alô polo mês de... Fevereiro, acho. Ali comentou-se a possibilidade de elaborarmos um livro colectivo sobre uma matéria por nós tratada tantas vezes como é a realidade dos Centros Sociais.
Houvera uma experência similar realizada por três companheiras nossas que realizaram uma página web sobre os centros sociais galegos para a matéria Obradoiro de Produtos na Rede, leccionada polo professor Manolo Gago.
Esse web (que, acho, não chegou a ser publicado) constitui-se numa experiência e córpus referencial, já que foi uma das primeiras tentativas de elaborar um guia sobre esta realidade que nalguns casos está consolidada (caso da Fundaçom Artábria ou do Centro Social O Pichel) mas que noutros ainda é emergente.
Depois de fazermos vários brainstormings (o primeiro, presencial em Tui; o resto, virtuais), juntamos critérios para a selecção dos centros, elaboramos uma lista (que se viu aumentada justo ao final, quando o livro estava quase pronto), estrutura das reportagens, questionário base... e o imprescindível reparto de tarefas em função das possibilidades de deslocamento de cada quem.
O resultado, após quase meio ano de intenso trabalho da equipa redactora, do imprescindível labor do maquetador e do suporte económico da Conselharia de Cultura, está aí. Um livro que, se se me permitem a imodéstia e a redundância, resulta pouco menos que imprescindível... e descolonizador!
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Faragulhas: colectivos, comunicando, GZ, uz
24 Julho 2007
Afinal, a criatura nasceu
Foi trabalhoso, mas afinal a criatura nasceu sem problema. Agradecemos a calorosa acolhida e esperamos que o desfrutedes.
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Faragulhas: colectivos, comunicando, criativo
20 Julho 2007
Aceite para o VI Colóquio Anual da Lusofonia
Um blogue é, disque, como um diário, polo que o pessoal costumaria expor as suas vivências. Eu, porém, adoito pôr as minhas reflexões e falar pouco da minha vida. Hoje faço uma dessas raras excepções devido a uma notícia que me faz muito feliz: por segundo ano consecutivo participarei no Colóquio Anual da Lusofonia, que decorre em Bragança (Trás-os-Montes) do 3 ao 6 de Outubro e que este ano chega à sua VI edição.
No meu nome e no dos três parceiros e parceiras, agradeço à comissão científica do evento ter aceite a nossa comunicação (em total foram 50) dentre as 98 que receberam. Estaremos muito orgulhosos de formar parte da representação galega (8 oradores), a terceira em número após brasileira (28) e a portuguesa (17).
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Faragulhas: filologia, GZ, portus cale
04 Julho 2007
Castelhano oficial, galego co-oficial (ou de como podemos falar galego graças aos espanhóis)
Hoje, mais uma vez, estenderei-me sobre um dos meus temas recorrentes: a consideração do galego como língua de segunda categoria. A prova mais flagrante de as minhas afirmações serem certas está, também mais uma vez, no próprio ordenamento constitucional.
1. El castellano es la lengua española oficial del Estado. Todos los españoles tienen el deber de conocerla y el derecho a usarla.
2. Las demás lenguas españolas serán también oficiales en las respectivas Comunidades Autónomas de acuerdo con sus Estatutos.
3. La riqueza de las distintas modalidades lingüísticas de España es un patrimonio cultural que será objeto de especial respeto y protección.
Todos los españoles (1978) — Constitución Española, artigo 3.
Segundo isto, não dá muito trabalho visualizar a realidade.
Artigo 3.1.- A língua castelhana é a língua espanhola oficial do Estado. Portanto, é também a língua oficial da Galiza.
Artigo 3.2.- Por derivação do apartado anterior, o castelhano é a língua espanhola oficial do Estado, mas o resto de línguas espanholas carecem de oficialidade em todo o Estado. Portanto, mesmo sendo espanholas, não são tão espanholas. Estabelecendo paralelismos humanos, Pessoa-1 e Pessoa-2 dedicam-se a fazer potas, e esse labor realizam-no com a mesma eficacia.
Porém, a Pessoa-1 pode vender potas por vários países (no seu e em vários), enquanto a Pessoa-2 apenas num (no seu). Ademais, Pessoa-1 conta com grandes apoios para a sua actividade comercial, enquanto Pessoa-2 só atopa travas. Poderia deduzir-se que a Pessoa-1 tem mais privilégios que a Pessoa-2 ou, dito ao revés, que ocupando o lugar da Pessoa-2 se ocupa um lugar marginalizado, de segunda categoria, onde se vê impedida de concorrer em igualdade de condições. Pode parecer um exemplo absurdo, mas ajusta-se muito à realidade dos factos.
Voltanto para a interpretação do artigo, o castelhano é a língua espanhola oficial do Estado, e portanto pode exercer a sua influência em todo esse território. Porém, o galego não é tão espanhol quanto o castelhano já que apenas pode influir na Galiza. Ainda, dá-se o paradoxo de o castelhano sagrar-se também como língua galega: se todos os galegos são espanhóis, e se o castelhano é a língua espanhola oficial para todos os espanhóis (também os galegos), o castelhano é também uma língua galega.
E a carambola legislativa deixa-nos ainda um outro presente, seguramente o mais grave: o castelhano é oficial na Galiza per se, simplesmente por ser espanhol; mas o galego, na Galiza, também é oficial. «Vou a Lugo, e também vens tu». Na Frase, "eu" sou o principal e "tu" o secundário, o opcional. O contrário seria «tu vais a Lugo e também vou eu». Pois neste caso, o castelhano é oficial na Galiza, enquanto o galego, por algum tipo de generosidade, também é oficial. Quer dizer, castelhano oficial e galego co-oficial.
Artigo 3.3.- O último apartado redunda nas duas ideias anteriores. Assim, se o 3.1 sagra sem ambagens a supremacia do castelhano, da língua castelhana; neste último fala-se em geral das diferentes modalidade linguísticas, metendo na mesma saca idiomas (galego, catalão, asturiano...) e dialectos (andaluz, estremenho, murciano...). Ademais, reduz-se o seu âmbito à consideração de património cultural, como os castros ou os restos romanos. Património significa, literalmente, "bens herdados dos pais". Património cultural não é, desde logo, o mesmo que "activo cultural", e nem muito menos "elemento identitário" ou "língua oficial".
Pensai bem nisto, e depois haverá cousas que vos admirem menos.
30 Junho 2007
Fazer-se um homem (mudança para WordPress)
Esta mesma tarde comentava-lhe a um dos meus blogueiros de referência a minha decisão de mudar para WordPress. A sua resposta continha um curioso apontamento: que graças a esta mudança vou-me «fazer um homem».
A verdade é que resulta um comentário engraçado... mas iria na linha de outras mudanças que me aconteceram nos últimos doze meses e que também foram respondidos, em seu dia, por algumas pessoas dizendo: «estás-te fazendo um homem».
Entre essas cousas estão o primeiro contrato, a carta de condução, o primeiro carro ou a mudança para uma vivenda para mim só (de aluguer, por suposto). Não deixa de ser curioso que todas estas, mais o passo para WordPress, recebessem o mesmo comentário.
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Nota: para ver como está quedando a que será versão por defeito deste blogue daqui a pouco, podeis comprová-lo premendo na imagem que ilustra este post. Por certo, mantém-se como URL de acesso o endereço http://caminhos.gzpt.org ;-) E sim, o desenho do blogue vai estar baseado no tema Quilm! 0.3
23 Junho 2007
Tan gallego como el lado oscuro de la fuerza
Informa o camarada Fer que a campanha tangallegocomoelgazpacho (ou seja, tangallegocomoelgallego) está colheitando um sucesso extraordinário na internet, tal e como se indicara também em Chuza!.
Segundo os últimos dados de Fer (nem tomei a moléstia de actualizá-los para não perder tempo), a situação é a que se segue:
Google castelhano/espanhol
- tan gallego como el gallego: o web paródico sai no número 2 no Google!
- tan gallego como: número 1!!!
- tan gallego: número 1 (ou 2 se a pesquisa é em castelhano)!!!
Google galego-português
- tan gallego como el gallego: o web paródico sai no número 2!
- tan gallego como: sai sempre a chamada para o Google bomb!!!
- tan gallego: sai sempre a chamada para o Google bomb!!!
E já sabeis, a difundir tangallegocomoelgallego e tangallegocomoelgazpacho!!!
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18 Junho 2007
Tanespañolcomoelespañol
Reitero-me nas afirmações realizadas anteriormente: o galego, na Galiza, é um idioma de segunda. E o pior é que os maiores defensores desta situação continuam sendo os próprios galegos.
Parte dos galegofalantes defendem a educação em espanhol para conseguir um suposto proveito e ascenso social para o filhos. Outros, castelhano-falantes e mesmo galego-falantes, advogam por um suposto bilinguísmo (impossível) que na prática supõe confronto radical contra quaisquer movimentos que procurarem um aumento nos usos do galego. Fora de ambagens há pessoas de um outro sentido que advogam claramente por um monolinguísmo em galego ou castelhano.
E é que, ainda hoje, parece que o pessoal não sabe de quê vai o conto. O bilinguísmo do que uns e outros falam é, simples e radicalmente, impossível. É a segunda vez que uso a palavra e sublinho-a. A única forma de que num território determinado funcione o bilinguísmo e a especificidade territorial (exemplos: Suíça e Bélgica). O resto é um cenário no que o castelhano come terreno diariamente ao galego e ao basco, e onde o catalão subsiste com muito empenho e trabalho.
Volvendo à ideia do começo: o galego, na Galiza, é um idioma de segunda. A situação é assim porque nestes momentos, é perfeitamente possível fazer vida normal no nosso país sendo um completo ignorante no idioma nacional, podendo qualquer pessoa mover-se à perfeição botando mão do castelhano.
Constitucionalmente, o galego é uma 'língua espanhola', mas como a própria Carta Magna assinala constantemente, a língua que deveras serve é a castelhana. Nisso é no que se amparam na Galiza os defensores da educação em castelhano e da primacia deste idioma. Realmente são minoritárias as opiniões que pedem um bilinguísmo e não ocultam no fundo um desejo de imposição da língua de Castela.
Segundo todo isto, o castelhano é tão galego como o galego, mas a língua da Galiza não é tão espanhola como o espanhol. Curiosa contradição.
Nos últimos dias fez-se bastante conhecida uma plataforma espanholista que, legitimamente, pedem que se lhe ponha o freio aos poucos avanços que vem conseguindo o galego no ensino. Já o fizeram anteriormente no âmbito da Justiça e das Administrações púbilcas (e seguem-no fazendo). E digo 'legitimamente' porque a lei ampara as suas demandas, a começar pola lei de leis que é a Constituição espanhola: enquanto o aprendizado do galego for um direito e não um dever, as suas petições contarão com suporte legal.
Noutras palavras, saber castelhano é obrigatório (uma imposição recolhida na Carta Magna), e saber galego é optativo. E a devandita plataforma acolhe-se a esta situação para exigir o que é obrigatório e apela à economia para prescindir do que legalmente é prescindível, que é o galego. Sim, pode resultar duro e politicamente incorrecto, mas assinalar que o galego é um idioma de segunda é também constatar que é prescindível.
O galego é prescindível desde o momento no que as pessoas que o deveriam defender (os cidadãos e cidadãs da Galiza) renegam de defendê-lo. E é prescindível desde o momento no que carece de utilidade, aqui, dialectizado, afastado da ciência e da modernidade. O galego chegou a tal ponto de abandono que nem as suas elites se molestam em falá-lo. E, quando o falarem, custa grande esforço diferenciá-lo do castelhano. Convertido num dialecto local do castelhano, recluído sobre si mesmo dialectalmente, em verdade não é um idioma sério: o idioma que renega de si próprio, das suas raízes e da sua projecção internacional, não pode pretender sê-lo.
Com efeito, e visto o panorama, é mesmo comprensível que haja quem advogar por deixar-se de pampanadas e optar por um idioma sério e, ao tempo, amparado por todo um aparato legal, militar e de prestigio como é o castelhano que, ainda, é tão espanhol como o espanhol porque não tem necessidade de ser tão galego como o galego.
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Nota: este artigo está dedicado ao professor Xabier Cordal Fustes.
Apoiando a causa
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Via: O Demo
Nota: isto é uma experiência de googlebombing, e animo à sua difusão.
04 Junho 2007
Touradas e chegas-de-bois: selvajarias
Acho que já vai sendo hora de reflectirmos um pouco sobre a nossa essência nacional, sobre as tradições próprias e sobre as importadas do estrangeiro. Mas também, e sobretudo, sobre a condição humana.
Desde sempre, posicionei-me de forma incondicional com todas aquelas plataformas e/ou colectivos que trabalharam arduamente por intentar expulsar as touradas (corridas de toros) do nosso país, por muito que o seu trabalho seja muito menos conhecido do que o realizado por homólogos catalães.
Mas juntamente com o trabalho por intentar expulsar do nosso país esse costume bárbaro que é o maltrato animal por diversão (que com a lei na mão deveria estar punido até nas televisões), outro tanto se deveria fazer com as chegas-de-bois, tradição não menos brutal por muito que esteja presente no nosso país desde vários séculos atrás.
Não duvido que possa ter algum valor etnográfico, mas não é motivo suficiente como para fazer perviver um acto cruel e gratuito de sofrimento animal. U-lo divertimento? Eu não o encontro.
Por outra parte, tenho lido e escuitado com horror argumentos pseudo-ecologistas para defender esta prática, alegando que apenas graças às chegas a raça de boi utilizada conseguiu sobre-viver até os nossos dias. Pois bem, tenho a certeza de que se tão necessário é garantir a diversidade genética e a pervivência desta raça, haverá jeitos bem menos brutos para conseguir o objectivo.
Para concluir, tenho o convencimento de que a identidade galega se veria reforçada eliminando as chegas, e muito mais se esta tradição se abolisse antes do que as touradas. Ao menos em minha opinião, costumes bárbaros e cruéis como as touradas ou as chegas não quadram demasiado com identidade galega. Ou não, ao menos, com a imagem que eu tenho dos meus e das minhas compatriotas.
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Faragulhas: de todo 1 pouco, pampanadas
20 Maio 2007
Porquê a CRTVG não emitiu «Línguas Cruzadas» em internet?
Nem a quinta-feira 17 de Maio nem o sábado 19 a CRTVG emitiu o documentário Línguas Cruzadas. Igualmente tampouco aparecia qualquer referência sua na grelha de programação do sítio web da companhia...
A única menção foi o dia 17 num apartado que indicava programação especial para esse dia, mas indo para a programação diária ao completo já não figurava. E o sábado, nada de nada. E a emissão por internet da quinta-feira e do sábado incluia, sim, o espaço Galiza Documental, mas com documentários que nada tinham a ver com o previamente anunciado.
17 Maio 2007
#Esta semana viaja connosco o «I Dia do Orgulho Lusista e Reintegrata»
«Não entre em pânico, nom!». A conciliadora (e surpreendente) frase será o chamamento que o vindouro 25 de Maio se faça aos reintegracionistas (e lusistas) de todo o país para se unirem num multitudinário convívio na capital galega com motivo do I Dia do Orgulho Lusista e Reintegrata.
A Hora Agá está fixada para as 19h30 segundo a hora galego-portuguesa (uma hora mais nos relógios espanhóis) com uma concentração na compostelana Praça do Pão (a.k.a. Praza de Cervantes).
Já às 21h (sempre no horário galego-português) projectará-se no Centro Social O Pichel (r/Sta. Clara n.º21) o filme «O Mochileiro das Galáxias». As entidades organizadoras (AGAL-Compostela, MDL, Gentalha do Pichel e A Kalimera) lembram para essa data tão sinalada não esquecer-se de trazer cadansua toalha (todos temos alguma, ou? ;-)
Primeiro podcast promocional não/nom oficial:
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Cruzamentos
Faragulhas: acompanhantes, colectivos, criativo, filologia, GZ, rede/tecno
16 Maio 2007
Os nossos apelidos? Galegos, com todo o direito (II)
Para galeguizar um apelido o primeiro que se deve comprovar é que, com efeito, se trata de um apelido galego. Pode ser que pessoas apelidadas Fuentes ou Rivera tenham alguma dúvida sobre se o seu é um caso de apelido estrangeiro ou de antropónimo galego castelhanizado. Nesse caso, deveriam fazer uma investigação genealógica (algo muito complicado, pois muitos arquivos perderam-se por má conservação), ou simplesmente pôr-se a pensar se têm constância de a sua família vir de fora ou ser do mesmo lugar desde há muitas gerações (o carácter endogámico, neste caso, ajuda). Outras circunstâncias também servem: sei, por exemplo, de algum Montero cuja família são ainda conhecidos como Os Monteiros; e alguns Seijo que moram num lugar chamado Seixo.
Corroborada a galeguidade do apelido, o seguinte passo é solicitar um informe filológico onde se aduzirem as razões polas quais o apelido X deve ser escrito como Z, e entregar esse informe (devidamente certificado por algum departamento de Filologia) no Registo Civil, juntamente com a solicitude para a galeguização. No próprio Registo Civil e em departamentos de Filologia Galega ou Portuguesa de todo o país podem-se obter mais informações.
Dicas: apelidos corrigidos
Para rematar, cumpre salientar que ainda hoje há uma grande carência de materiais, e muitas vezes as pessoas não sabem aonde se dirigir para conhecerem sobre qual a forma correcta para os seus apelidos. Sem querer parecer pretensioso, ofereço um pequeno listado de alguns dos casos mais comuns de apelidos galegos detupardos juntamente com a sua correspondência galega (obviando casos singelos tipo Cuesta->Costa), que indico tanto na ortografia internacional do nosso idioma quanto na oficialista. Advirto que alguém pode levar uma (grata?) surpresa...
Ageitos -> Ajeitos (Axeitos); Ameijeiras -> Ameixeiras; Cabanillas -> Cabanelas; Collazo -> Colaço (Colazo); Cuevillas -> Covelas; Iglesias -> Igrejas, Eirejas (Igrexas, Eirexas); Lage -> Laje (Laxe); Meana->Meã (Meá, Meán); Mejide, Meijide -> Meixide; Merino-> Meirinho (Meiriño); Montero->Monteiro; Muñiz->Moniz; Núñez->Nunes (Nunes, Núnez); Otero->Outeiro; Quintana-> Quintã (Quintá); Ribera, Rivera e Ribero-> Ribeira e Ribeiro; Riego -> Rego; Seijas e Seijo->Seixas e Seixo; Sotillo, Sotelo-> Soutelo; Teijeiro -> Teixeiro; Villarino -> Vilarinho (Vilariño); Yáñez, Yánez, Llanes -> Eanes (Eanes, Eánez).
Menção à parte merecem apelidos como Ageitos ou Lage (incluídos na numeração anterior), cuja ortografia, mesmo sem ser estritamente correcta poderia ser aceite, mas não a sua pronúncia, que em nenhum caso pode nem deve ser como a do 'j' castelhano. É o mesmo que acontece com apelidos perfeitamente escritos como Janeiro, Cereijo ou Orjeira (Xaneiro, Cereixo, Orxeira) perfeitamente escritos mas incorrectamente pronunciados. É claro, sempre haverá imb...
. . . . . .
REL:
- Repete 100 vezes: "antes de galeguizar, exemplo devo dar" (artigo neste blogue)
- Que dirám...
11 Maio 2007
Os nossos apelidos? Galegos, com todo o direito (I)
O idioma é um dos mais fortes sinais de identidade de qualquer povo, já que através dele se canaliza a Cultura, em maiúsculas, todo o que conforma o grupo étnico: lendas, tradições, leis, formas de relacionamento, jeitos de ver o mundo... A língua vertebra estes elementos e constitui-se, ademais, no seu veículo transmissor.
O idioma abrange todos os níveis da vida, e o idioma está presente em todo, desde os nossos nomes aos nossos apelidos. E precisamente disto último vai este post. Como podeis comprovar, nos últimos dias estou dando maior atenção da ha
bitual às questões linguísticas, e não é para menos, já que estamos na Temporada das Letras (período entre o Dia das Letras e o Dia de Camões), e cada quem tenta contribuir da melhor forma possível.
Dedico este post aos apelidos porque é algo do que poucas vezes se fala. A paulatina normalização do galeguismo e do seu ideário fez com que já a ninguém soe estranho escuitar os topónimos do país na sua forma correcta (uma outra questão é a grafia, mas disso também trataremos), e também cada vez soa menos estranho os galegos terem nomes galegos (se bem também reste muitíssimo a fazer, grafia à parte).
No entanto, há uma estranha (mais bem suspeitosa) conivência cara ao facto de milhares de galegos terem apelidos castelhanizados, circunstância se calhar mais preocupante no caso de destacados líderes galeguistas, aos quais se lhes supõe maior conscienciação e implicação. Não se livra ninguém em nenhum âmbito... Quer na política, quer na universidade, quer no ensino, quer nas artes... Dúzias, centos, milhares de apelidos galegos burdamente castelhanizados ou directamente sequestrados e substituídos pola sua cópia castelhana. Del Riego, Puente, Iglesias, Muñiz, Núñez, Otero, Quintana, Villar ou Montero são apenas uns poucos exemplos.
Esquecer a dominação
Restituir os apelidos pola sua forma legítima (a galega) é também contribuir a borrar da nossa história mais um símbolo da dominação e da falta de poderes próprios. Porque foi precisamente o facto de a Administração estar em mãos espanholas o que fez com que desde o século XVIII se fossem traduzindo/deturpando a feito boa parte dos nossos apelidos, o qual também implica espanholizar uma parte de nós. E, pior do que espanholizar, deixá-la sem sentido... Porque, quê sentido têm apelidos como Otero, Meana, Vilareyo ou Seijo? Assim, em galego não significam nada, e em espanhol tampouco. Ficam apátridas, não queridos em nenhures.
Muitos galegos, movidos mais pola preguiça do que por outra cousa, consentem. Não os culpo, a própria legislação e o aparato administrativo impõem muitas dificuldades para restaurar a forma legítima dos apelidos galegos, sobretudo se a deturpação coincidir com apelidos directamente castelhanos. É o caso de Rivera, Cabanillas, Cuevillo ou Sotillo, que nalgum momento da história recente substituiram legítimos Ribeira, Cabanelas, Covelo ou Soutelo. Não estou negando que no caso de algumas pessoas os seus apelidos procedem, com efeito, do estrangeiro... Tal era o caso, por exemplo, do intelectual galeguista Ramom Cabanillas, cuja família paterna era castelhana.












